Por que procrastinamos e 5 maneiras de parar

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Muitas vezes procrastinamos mesmo quando sabemos muito bem que não devemos. Ellen Hendriksen, PhD, em seu podcast Savvy Psychologist, traz 5 maneiras de parar com este comportamento ao conhecer as razões por que acontece.

Primeiro, a procrastinação em um parágrafo.

Procrastinar é quase universal: você sabe que precisa fazer algo mas… faz qualquer outra coisa pra não levar a frente o que precisa ser feito. É assim. Todo mundo sofre deste mal, está ligado em um nível genético à impulsividade humana e um estudo do prestigiado Psychological Science diz que é algo pra se trabalhar por toda a vida, é um trabalho que não tem fim. Então vamos em frente. :)

Ao final do texto um vídeo incrível, sensacional, animal do Filipe Deschamps sobre o assunto para a área de tecnologia. Se você não aguenta esperar, veja o vídeo logo e depois continue a leitura.

5 razões por que procrastinamos

  1. A tarefa não é urgente.
  2. Não sabemos como começar ou o que vem em seguida.
  3. Medo de falhar.
  4. Alguns de nós trabalham melhor sob pressão.
  5. Simplesmente não queremos fazer o que precisamos.

Rápido e rasteiro, vamos olhar cada um desses motivos e como se livrar deles.

1. A tarefa não é urgente

É muito mais difícil priorizar o que não está na sua cara, gritando. Tarefas pequenas e grandes ficam por meses ou anos em nossa lista de tarefas, desde ajeitar os arquivos (e o lixo digital) do computador até mesmo planejar a própria aposentadoria. A gente não faz.

Solução: observe o quadro geral.

Humanos tem uma tendência natural a olhar o que está no presente muito mais do que o que está no futuro. Os psicólogos chamam isso de “desconto temporal”. A solução, de acordo com outro journal famoso, o Journal of Personality and Social Psychologyé olhar para os objetivos mais gerais, dar um “zoom out”, e entender o que realmente é importante, de maneira geral, para sua vida. Essa tese da USP também avalia o processo de tomada de decisão frente a consequências atuais e futuras para entender o desconto temporal em nós e conclui: estados de excitação mental, de sistemas motivacionais básicos e a escassez de recursos materiais acentuam nossa tendência ao imediatismo.

Dar um sentido (ou uma sequência de sentidos) é o mesmo que Viktor Frankl recomenda em seu livro “Em busca de sentido” para que possamos levar uma vida “melhor”.

Depois de observar o quadro geral, você vai precisar olhar para a segunda razão para procrastinação, que é…

2. Não sabemos por onde começar ou o que vem em seguida

Muitas vezes não sabemos o que fazer. Nos sentimos sobrecarregados, confusos, desorganizados. Este tipo de procrastinação está mais conectado em evitar a emoção negativa do que na tarefa em si. Ninguém quer se sentir incompetente, então é normal querer fugir pro Netflix ou pra limpar o banheiro. Quando deixamos de fazer uma tarefa e vamos fazer outra, isso se chama “procrastinação produtiva”. É que fazer essa “outra coisa” (geralmente muito mais fácil) nos faz sentir competentes.

Solução: inclua a confusão na tarefa

Se está difícil e confuso, faça com que sua primeira tarefa seja “entender o que fazer”. É totalmente normal se sentir sobrecarregado ou confuso quando se está começando algo, especialmente se é a primeira vez que você faz o que está fazendo.

Algumas pessoas precisam falar com alguém pra dissipar a confusão. Talvez seja o seu caso? Escolha um bom ouvinte e tente.

De qualquer modo, é normal no começo ter que refazer as coisas, comemorar pequenas vitórias e errar bastante. Você só vai sentir que está dando “errado” se pensar que não deveria ser assim.

3. Medo de falhar

Ter altos padrões e buscar um certo grau de perfeccionismo não é ruim. Mas, muitas vezes, o perfeccionismo pode paralizar. Acabamos desistindo por achar que não vamos conseguir atingir nosso próprio alto padrão.

SOLUÇÃO: desconecte performance da autovalorização (sua auto-estima)

Lembre-se sempre: existe uma grande diferença entre quem você é e o que você alcança. Há muito mais em jogo para o quanto você vale do que simplesmente suas conquistas – sua identidade, família, paixões, experiências, viagens, gosto, conhecimento, desafios que venceu, e, talvez o mais importante, como você trata outras pessoas.

Ter altos padrões não é ruim. Conectar seu valor pessoal, no entanto, à conquista destes altos padrões pode ser catastrófico.

4. Alguns de nós trabalham melhor sob pressão.

Todo mundo conhece (ou foi) aquele aluno que, apenas alguns dias antes da prova, abria o livro, aprendia tudo e tirava boas notas. Parece até injusto com quem se planeja e precisa de mais tempo.

Talvez você prefira começar mais tarde pra sentir a adrenalina e foco intenso que o prazo final se aproximando podem trazer. Algumas pessoas são assim.

SOLUÇÃO: conhece-te a ti mesmo

Quem age assim na verdade planeja com antecedência, mas de uma maneira diferente. Existem dois tipos de procrastinação: passiva ativa.

Passiva: é o que normalmente conhecemos como procrastinação – se distrair com aquele vídeo de alguém abrindo pacotes de doce no Youtube.

Ativa: é um tipo mais estratégico de procrastinação, que você pode acabar executando porque gosta da pressão de estar perto do prazo final e porque funciona melhor assim.

E parece que existe recompensa na procrastinação ativa: um estudo de 2017 feito por pesquisadores suíços revelou que existe correlação positiva entre procrastinação ativa e resultados no GPA, índice internacional que mede o desempenho acadêmico – enquanto isso a procrastinação passiva traduz resultados negativos no GPA. 

5. Simplesmente não queremos fazer o que precisamos.

Algumas coisas a gente simplesmente não quer fazer. É chato, é difícil e a sexta feira está linda pra gente aproveitar! Tem coisas que ninguém gosta de fazer (tipo declarar o imposto de renda).

SOLUÇÃO: medir e compensar

Mais uma vez, a habilidade de se conhecer bem faz todo sentido neste caso. Perceba como em sua mente você tem toda intenção de estudar ou trabalhar, mas não agora. Procrastinadores deste tipo tendem a construir na mente primeiro sua vontade de fazer algo para então fazer. Isso faz com que construam compensações em sua mente desde o início – intencionando estudar ou trabalhar mais, por exemplo – o que os leva a produzir até melhor do que não procrastinadores.

Em resumo

Crescer não é tarefa fácil, então para trabalhar um pouco melhor com a sua procrastinação: observe o quadro geral e seus objetivos, saiba que é normal “patinar” e ficar confuso no início, lembre-se que seu valor pessoal não é igual às suas conquistas mas, acima de tudo, se conheça. Trabalhe com sua tendência de procrastinar como ela é, não da maneira que gostaria que fosse – seja realista consigo.

[Este assunto está especialmente em voga pois estou no Mestrado, com diversas atividades concomitantes. Interessado na minha própria felicidade e em não ficar doente durante esse período, estou lendo “O jeito Harvard de ser feliz“, ouvido o podcast da Ellen e estudado o Eneagrama das personalidades – que me ajudou a entender que a estratégia fundamental do Tipo 7, a que pareço me alinhar, é fugir das situações buscando novos estímulos – resumindo: procrastinar mais que o normal]

Vídeo animal do Filipe Deschamps

Com informações de

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Veja mais no site ou no Podcast da Ellen Hendriksen, PhD > Savvy Psychologist

Imagem de Icons8 team retirada do Unsplash

 

  • Kristina Gonçalves

    Tá na hora de ler esse texto de novo.. hehehe