Foi bom?

Ela chegou com aquele brilho. Você conhece o brilho — não é da pele, é de trás dos olhos, um negócio que a pessoa carrega quando o mundo, por umas horas, resolveu ser generoso com ela. Largou a bolsa na cadeira, trouxe o friozinho da rua na roupa, tirou o tênis falando, falando, e do meio da fala saiu de mim, sem eu autorizar: “e aí, foi bom?”

O susto não foi a pergunta. Foi que eu queria saber. Continue lendo “Foi bom?”

Tecnologias de gênero no filme “Querida, encolhi as crianças”

 

O filme Querida, Encolhi as Crianças (1989), apesar de ser uma aventura infantojuvenil despretensiosa, reflete sutilmente valores tradicionais de gênero que reforçam uma estrutura machista. Diálogos, enquadramentos e dinâmicas entre personagens reproduzem estereótipos patriarcais – desde o pai autoritário e agressivo até a mãe compreensiva e resignada. Nesta análise, examinamos falas específicas e elementos do roteiro que reafirmam esses papéis de gênero, relacionando-os ao conceito de “tecnologias de gênero” de Valeska Zanello e discutindo como tais representações culturais contribuem para a perpetuação de uma cultura de violência. Continue lendo “Tecnologias de gênero no filme “Querida, encolhi as crianças””

Questionadores vs. Adivinhadores: cultura e comunicação

Você já parou para pensar em como sua maneira de pedir ou supor coisas pode ser um reflexo cultural? Mais ainda: em como isso afeta sua comunicação e, em consequência, suas relações?

Inspirado por um debate fascinante no podcast Stoic Coffee, este post explora a dicotomia entre “questionadores” e “adivinhadores”, uma distinção que pode mudar a forma como interagimos em nossas vidas pessoais e profissionais. Vou pincelar partes relevantes e deixo links ao final para você se aprofundar, se quiser. Continue lendo “Questionadores vs. Adivinhadores: cultura e comunicação”

Conversas do Caminho #01

Sob a sombra gentil de uma árvore ancestral, duas figuras repousam sobre a terra firme, partilhando um silêncio preenchido de entendimento. Uma delas, envolta em simples vestes, exibe uma serenidade que parece emanar da própria essência do ser; a outra, com olhos que refletem uma compaixão infinita, traz em seu olhar o abraço de toda a humanidade.

“Na quietude profunda do ser, encontrei um oceano sem margens, onde cada gota de vida se funde e se separa num eterno balé,” disse uma voz, tão leve quanto a brisa que dançava com as folhas ao redor. Continue lendo “Conversas do Caminho #01”

Cultivando a polissegurança em uma cultura monogâmica

Nota de direitos autorais:
Este texto foi escrito originalmente em inglês por Kayla Wingert e extraído do site Wildflower LLC, traduzido para o português e inserido aqui para referência. Todos os créditos são originalmente dos autores e websites originais. 

Colagem artística de 2 pares de lábios

Você está no caminho menos percorrido – navegando pela não monogamia consensual em uma cultura monogâmica. Você valoriza essa forma de se relacionar com os outros e também luta contra a insegurança, o ciúme, a raiva e o medo do abandono. Seus amigos monogâmicos dizem coisas como: “Não sei como você consegue. Eu não consegui. Estou com muito ciúme”. E embora eles sejam gentis, isso faz você se perguntar: “Estou com muito ciúme e insegurança para fazer isso? Eu sou poli o suficiente?” Continue lendo “Cultivando a polissegurança em uma cultura monogâmica”