Foi bom?

Ela chegou com aquele brilho. Você conhece o brilho — não é da pele, é de trás dos olhos, um negócio que a pessoa carrega quando o mundo, por umas horas, resolveu ser generoso com ela. Largou a bolsa na cadeira, trouxe o friozinho da rua na roupa, tirou o tênis falando, falando, e do meio da fala saiu de mim, sem eu autorizar: “e aí, foi bom?”

O susto não foi a pergunta. Foi que eu queria saber. Continue lendo “Foi bom?”

Tecnologias de gênero no filme “Querida, encolhi as crianças”

 

O filme Querida, Encolhi as Crianças (1989), apesar de ser uma aventura infantojuvenil despretensiosa, reflete sutilmente valores tradicionais de gênero que reforçam uma estrutura machista. Diálogos, enquadramentos e dinâmicas entre personagens reproduzem estereótipos patriarcais – desde o pai autoritário e agressivo até a mãe compreensiva e resignada. Nesta análise, examinamos falas específicas e elementos do roteiro que reafirmam esses papéis de gênero, relacionando-os ao conceito de “tecnologias de gênero” de Valeska Zanello e discutindo como tais representações culturais contribuem para a perpetuação de uma cultura de violência. Continue lendo “Tecnologias de gênero no filme “Querida, encolhi as crianças””